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Escrito por egmcosta às 09h47
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Já temos um mês de aula! Como disse antes, são duas turmas, uma de Espanhol II e outra de V. Logicamente são dois grupos bem diferentes.
A turma de II é bastante heterogêneo, pois há alunos de outros cursos ou de outras habilitações (inglês, por exemplo). Isso gera um problema: Letras/Espanhol, como qualquer outra Licenciatura, é um curso para formar professores e o enfoque que procuramos dar ao curso é o de preparar os alunos para dar aulas de espanhol. Entretanto, uma parte da turma está estudando espanhol como um curso de língua estrangeira, querem aprender o idioma, mas não para ensiná-lo depois. Muitos acabam desistindo porque percebem que o curso não atende seus objetivos; outros continuam, mas percebe-se claramente que não acompanham o ritmo das aulas. Felizmente, há um grupo bastante participativo, interessado, que realmente se envolve com as aulas e têm curiosidade, aquela curiosidade que estimula o professor. Esses alunos, evidentemente, não dependem de mim, já têm autonomia. Eu apenas lhes indico alguns caminhos e eles, prontamente, vão descobrindo os atalhos. Fico feliz!
A turma de V também é heterogênea, mas em outro sentido: há um grupo participativo, de veteranos, alunos que conheço de outras disciplinas e que têm uma história legal no curso; mas há outro grupo meio apático, de corpo presente apenas, não gostam de falar e estãs sempre meio perdidos nas atividades. Para o professor, é um desafio! Não podemos dar aulas apenas para os que estão motivados, mas também não podemos desanimar em vista dos que estão fora do ritmo. Conciliar às vezes é difícil. Tentar equalizar o conteúdo, a forma de dar aula, o tipo de exercícios é mais difícil ainda. E o pior: na tentativa de encontrar o meio termo e atender a todos, geralmente nivelamos por baixo. E isso é injusto com aqueles que têm condição de avançar muito mais! O que fazer?
Será pertinente ter esse tipo de dúvida em relação a alunos de curso superior? Não seria mais acertado estabelecer uma meta e tentar cumpri-la apesar daqueles alunos que se encolhem, se intimidam, não participam e estão sempre com cara de que não estão conseguindo acompanhar?
Escrito por egmcosta às 10h19
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Depois de um período de férias, volto a escrever.
Escrevo pensando já nos meus alunos deste semestre. Terei duas turmas: Língua Espanhola II e Língua Espanhola V. 27 alunos, por enquanto, em cada uma. Grande desafio!
Li os nomes dos inscritos, conheço vários deles. Cria-se uma expectativa: como será a dinâmica de cada turma?
Espero que sejam alunos participativos e se entrosem ao longo do semestre. O grande problema do sistema de créditos é que, geralmente, não se cria o espírito de turma, com coesão, amizade e cumplicidade. Há grupos que se mantêm unidos, inscrevem-se juntos nas mesmas disciplinas, estudam juntos vários semestres, tornam-se amigos. Mas uma boa parte deles não cria vínculos com os colegas.
Estou preparando o material para os dois cursos. Às vezes, é difícil pensar em atividades sem ter o primeiro contato com as turmas. Escolher os textos que lerão, elaborar as perguntas que responderão, definir as avaliações... Mas, não posso esperar que as aulas comecem para preparar o material, então procuro ser flexível e, dentro do possível, tentar que as aulas sejam agradáveis!
Dou as boas vindas a esses alunos com os quais me encontrarei na semana que vem.
Espero que tenhamos um semestre muito legal!
Escrito por egmcosta às 08h35
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Em outro post já comentei sobre o grupo de estudos que temos na faculdade cujo tema de pesquisa é “Como formar hoje o professor-leitor-cidadão de amanhã?”. Começamos no semestre passado lendo as Orientações Curriculares para o Ensino Médio e continuamos com leituras sobre o papel educativo da língua estrangeira, cidadania, ética, educação em valores e letramento. Este semestre, estamos aprofundando a discussão sobre Letramento a partir da leitura de alguns capítulos do livro Teorias e práticas de letramento (organização de Lia Scholze e Tânia Rosing), publicado pelo INEP, disponível em arquivo PDFna página http://www.publicacoes.inep.gov.br/detalhes.asp?pub=4137. No último encontro comentamos os capítulos “Pela não-pedagogização da leitura e da escrita” e “Letrar é preciso, alfabetizar não basta... mais?
Cito a seguir as questões para reflexão propostas pelos participantes do grupo:
- Quais critérios o professor de LE deve estabelecer ao preparar suas aulas de leitura/escrita, seguindo a perspectiva de não-pedagogização defendida por Lia Scholze?
- Como podemos trabalhar com oficinas de leitura e de produção textual nas aulas de E/LE, no ensino fundamental e médio, de modo a estimular a criatividade e o envolvimento do aluno?
- Fui alfabetizada pelo método silábico e até a 3ª série eu lia como se estivesse separando sílabas. O impacto desse método foi negativo no meu desenvolvimento posterior da leitura e da escrita. [...] Isso me remeteu a questão de como os métodos de alfabetização na língua materna podem interferir futuramente na aprendizagem de língua estrangeira.
- Preparamos, de fato, exercícios para estimular e guiar nossos alunos no processo de produção em LE?
- Deixamos espaço para que o aluno expresse a criatividade e a intimidade do aluno?
- “Diferentemente, na perspectiva interacionista se considera que o processo de aprendizagem do sujeito depende essencialmente da interação com o ‘outro’ e, sobretudo, das ‘relações de ensino’, no caso da aprendizagem escolar.”
Até que ponto o professor de LE é consciente de seu papel nessa interação? Como acontece essa “relação de ensino” entre o professor, os alunos e a escola?
- De que maneira as ações de “letrar” e “alfabetizar” são interdependentes e indissociáveis no âmbito escolas? São duas ações distintas e seqüenciais ou são simultâneas?
- “Essa capacidade de reflexão pela linguagem produz conhecimento e, com ele, produz poder, como observou Culler ao refletir sobre a teoria de poder/saber, que ele chama poder/conhecimento.”
Gostaria de saber se esse poder ao qual a autora se refere seria o poder que a escola tem sobre o aluno, o poder do conhecimento que a instituição possui e que forma sua identidade. Como essa forma de poder pode ser vista no nosso dia a dia? Seria a imposição que a escola faz sobre o que será ensinado, não levando em consideração a subjetividade de cada aluno?
Escrito por egmcosta às 17h33
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Leia abaixo o manifesto enviado à Secretaria Estadual de Educação-MG e ao Conselho Estadual de Educação-MG:
Manifesto pela qualidade
do Ensino de Espanhol em Minas Gerais
A Lei Federal nº. 11.161, de 5 de agosto de 2005, estabelece que o ensino da Língua Espanhola seja implantado gradativamente nos currículos plenos do ensino médio. A mesma lei define um prazo de cinco anos, a partir de sua publicação, para que esse idioma esteja implantando. Para que seja cumprido o texto legal, faz-se necessária a seleção, por meio de Concurso Público específico, de professores dessa disciplina que possam atuar em todas as escolas de Ensino Médio do Estado de Minas Gerais. Profissionais esses devidamente habilitados, em conformidade com o que determina a Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996 e Resolução 02, de 19 de fevereiro de 2002.
Nós, professores dos cursos de licenciatura em Letras Espanhol das Instituições de Ensino Superior – IES (Faculdade de Letras – FALE e Faculdade de Educação - FAE - UFMG, Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM, Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI/BH, Pontifícia Universidade Católica – PUC/Betim e PUC São Gabriel, Faculdade de Minas Belo Horizonte/MG - FAMINAS-BH), a Associação Brasileira de Hispanistas – ABH e a Associação de Professores de Espanhol de Minas Gerais – APEMG, manifestamos nossa preocupação e indignação frente ao desrespeito demonstrado pelas autoridades no processo de implantação da língua espanhola no ensino médio, em atendimento à lei 11.161/2005.
Segundo o relatado pelos professores de espanhol da rede estadual de Minas Gerais presentes no Curso de Atualização para Professores de Espanhol do Estado, realizado de 20 a 24 de agosto de 2007, em Belo Horizonte, foi informado pela Subsecretária de Desenvolvimento de Educação Básica da SEEMG na abertura do curso dia 20 de agosto, a todos os presentes que 3 representantes de cada Escola de Referência da rede estadual, formados em Letras, porém com habilitação em Português ou Inglês, seriam capacitados para darem aulas de espanhol na rede de ensino estadual por meio de um curso de imersão em Língua Espanhola de 30 dias oferecido por uma instituição particular que não é uma Instituição de Ensino Superior legalmente reconhecida. Vemos que, com o pretexto de que não há professores suficientes, estão sendo implantados cursos emergenciais que visam “capacitar”, em tempo recorde e de forma precária, não cumprindo as exigências determinadas pela legislação vigente, professores de outras habilitações (inglês, português) para atuarem na sala de aula no ensino de espanhol. Este quadro torna-se ainda mais grave se levarmos em consideração que já existem profissionais habilitados como também em vias de habilitação em Letras Espanhol para começar a atender essa demanda.
Com o objetivo de assegurar a qualidade de ensino que garanta a formação de cidadãos com autonomia intelectual e pensamento crítico, conforme o artigo 35 da Lei de Diretrizes e Bases, e para cumprir com o papel educativo atribuído ao ensino de línguas estrangeiras, de acordo com as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006), reivindicamos à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais e ao Conselho Estadual de Educação, dentro de suas atribuições legais, que sejam tomadas as seguintes medidas:
- Faça um levantamento da real demanda de professores de espanhol para o ensino médio no Estado de Minas Gerais, considerando a implementação da Lei 11.161/2005 até 2010;
- Abra concursos para incorporar os profissionais graduados no Curso Superior de Letras com habilitação em Espanhol para atuarem nas escolas de Ensino Médio – a exemplo do que vem ocorrendo em outros Estados da Federação;
- Impeça que cursos que não atendam às exigências legais sejam reconhecidos, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais - SEEMG, como formadores-habilitadores de professores da Educação Básica, no que tange ao ensino de Língua Espanhola. Essa função é das Instituições de Ensino Superior, legalmente reconhecidas, que são as únicas responsáveis por oferecer a devida Habilitação de professores em cursos de Licenciatura, (que são avaliadas regularmente pelo MEC, que aprova ou não os cursos)
- Caso haja necessidade, ou seja, se os concursos não suprirem a demanda criada com a implementação da citada lei, que a formação complementar de professores de outras habilitações em Letras, já concursados, cumpra com as exigências estabelecidas pela legislação vigente para a formação de professores de espanhol, quais sejam:
- número de horas aulas correspondente à licenciatura, em conformidade com Resolução CNE/CP nº 2 de 19 de fevereiro de 2002 que institui o mínimo de 2800 horas para os cursos de formação de professores da Educação Básica,
- disciplinas com conteúdo pertinente (língua, literaturas espanhola e hispano-americana, metodologia),
- horas de estágio supervisionado (i.e. prática de ensino e observação),
- atividades extra-curriculares.
- Que essa complementação, a que se refere o item 4 deste documento, deve ser de caráter provisório, isto é, até suprir a demanda.
- Exigimos que tal formação seja implementada, única e exclusivamente, pelas Instituições de Ensino Superior – IES, devidamente reconhecidas pelo MEC, em conformidade com o que determina a legislação. A Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – LDBEN, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, determina que a formação de docentes para atuar na educação básica deve realizar-se em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em instituições de Ensino Superior;
- Que as ações relativas à implantação da Lei Nº 11.161/2005 sejam amplamente divulgadas, em conformidade com a lei, para conhecimento da comunidade local, assim como informadas aos órgãos aqui presentes: IES do estado, APEMG e ABH.
Assim, nós, docentes universitários formadores de professores de espanhol de IES devidamente reconhecidas e representantes da Associação de Professores de Espanhol de Minas Gerais - APEMG e da Associação Brasileira de Hispanistas - ABH, preocupados com a qualidade da formação de professores e, conseqüentemente, com a qualidade do ensino público,
Manifestamos nosso completo repúdio contra quaisquer ações que ignorem a Legislação em Vigor ou que comprometam a Qualidade do Ensino da Língua Espanhola nas Escolas Públicas de Minas Gerais.
Na certeza de que nossas vozes serão ouvidas, nos colocamos à disposição para discutir e pensar em conjunto como levar adiante as ações necessárias para pôr em prática um ensino de língua espanhola à altura do que exige a realidade brasileira. Dessa forma, solicitamos uma reunião com a Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais. Com o intuito de facilitar a comunicação escolhemos representantes de cada entidade (das Associações seus presidentes e das Intituições de Ensino Superior – IES, um ou dois representantes) que representarão seus pares diante dos órgãos de governo e demais entidades públicas ou privadas, cujo contato seja necessário. Estes(as) representantes também se responsabilizarão de comunicar-se com os(as) demais signatários para informar e ou convocar para discussão sobre o andamento deste.
Assinam o manifesto professores representantes da ABH, APEMG, UFMG, UFTM, PUC-Betim, PUC-São Gabriel, UNI-BH, FAMINAS-BH, UNIFOR.
Uma cópia deste documento será publicada nas páginas web de todas as instituições acima mencionadas e amplamente divulgada nos meios de comunicação.
Escrito por egmcosta às 14h06
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Compartilho informações divulgadas no boletim da APEESP (04/09/2007).
Entre os dias 28 de agosto e 1º de setembro, foi realizado em Cuiabá o XII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol, no qual estiveram presentes mais de quinhentos congressistas. Durante o evento tivemos a oportunidade de participar de importantes debates sobre a formação de professores de espanhol e sobre a implantação da lei 11.161, que dispõe sobre a obrigatoriedade da disciplina língua espanhola.
As discussões sobre o tema foram profícuos e, por decisão dos participantes, formaram-se comissões para a redação de duas moções: uma contra a ausência da profª. Lúcia Helena Lodi, representante do MEC, ao debate, e outra apresentando ao poder público uma pauta de reivindicações para que se garanta a qualidade na implantação do ensino do espanhol.
As duas moções aprovadas na mesa que discutiu a formação de professores, foram encaminhadas pela Profª. Suely Catarino, presidenta da AMPLE, para votação dos congressistas na Plenária Final que foi realizada no dia 01 de setembro de 2007.
As moções foram lidas na plenária final e aprovadas por unanimidade pelos presentes.
Abaixo acrescentamos os textos das duas moções que serão entregues, como documento oficial, às Secretarias de Ensino e Conselhos de Educação de todo o país pelos organizadores do Congresso e também divulgados pelas APE’s aos professores de espanhol e demais interessados.
Escrito por egmcosta às 08h40
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Moção 1
Redigida pelos professores Ivan Rodrigues Martin (APEESP/PUC-SP); David Melo (APEESP/FATEC-SP); Janaina Soares Alves (UESC). Com a colaboração de: Margareth dos Santos (PUC-SP), Neide Elias (FATEC-SP) e da acadêmica Lucilene da UNEMAT.
Senhora Lucia Helena Lodi,
Representante do Ministério da Educação do Brasil
Os professores de espanhol, reunidos no XII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol, realizado entre os dias 28 de agosto e 1 de setembro, na Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiabá, manifestam publicamente sua indignação pela ausência da Profa. Lúcia Helena Lodi, representante do Ministério da Educação, na mesa redonda “formação de professores – implantação da língua espanhola”. Cabe destacar que as reiteradas ausências deste Ministério em nossos eventos, sobretudo nos espaços de discussões que dizem respeito à Lei 11.161 de 05 de julho de 2005, que trata do processo de Implantação da Oferta da Língua espanhola nas escolas de ensino médio de todo o país, conformam um histórico de descaso com as questões tratadas nestes debates:
1 Seminário de Discussão sobre a Lei 11.161, realizado na cidade de Vitória, Universidade Federal do Espírito Santo, em julho de 2006;
2 Congresso Brasileiro de Hispanistas, realizado em outubro de 2006, na cidade do Rio de Janeiro, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro;
3 Mesa redonda - número 03 - Formação de Professores - Implantação da Língua Espanhola, realizada no dia 29 de agosto de 2007, no XII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol, nesta cidade de Cuiabá.
Cabe ressaltar que vivemos um momento em que se faz necessária a presença do Ministério da Educação em debates com professores e pesquisadores da área, já que as conseqüências desta implantação envolvem muitos aspectos políticos, de relações internacionais, sobretudo, acadêmicos e educacionais. Apelamos aos governantes de nosso país que se unam às centenas de vozes de hispanistas de todo o Brasil e do mundo, presentes aqui no XII CONGRESSO BRASILEIRO DE PROFESSORES DE ESPANHOL, e se manifestem contrários às ações inconstitucionais (tais como, projetos emergenciais de formação de professores em desacordo com a legislação brasileira, sem a presença e o apoio de universidades) que vêm sendo implementados em alguns estados da Federação.
Escrito por egmcosta às 08h39
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Moção 2
Redigida pelas professoras Graciela Foglia (UFMG), Elzimar Goettenauer (UFMG); com a colaboração dos professores Cristiano Barros (UFMG), Marcos Alexandre (UFMG), Rosângela Dantas (Colégio Bandeirantes/SP) e David Melo (APEESP/Fatec-SP).
Nós, professores e estudantes universitários de língua espanhola, reunidos no XII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol, queremos manifestar nossa preocupação e indignação frente ao desrespeito demonstrado pelas autoridades no processo de implantação da língua espanhola no ensino médio, em atendimento à lei 11.161/2005.
Segundo relatos ao longo do evento, com o pretexto de que não há professores suficientes, estão sendo implantados cursos emergenciais que visam “capacitar”, em tempo recorde e de forma precária, não cumprindo as exigências determinadas pela legislação vigente, professores de outras habilitações (inglês, português) para atuarem na sala de aula no ensino de espanhol. Este quadro torna-se ainda mais grave se levarmos em consideração que já existem profissionais tanto formados quanto em formação para começar a atender essa demanda.
Com o objetivo de assegurar a qualidade de ensino que garanta a formação de cidadãos com autonomia intelectual e pensamento crítico, conforme o artigo 35 da Lei de Diretrizes e Bases, e para cumprir com o papel educativo atribuído ao ensino de línguas estrangeiras, de acordo com as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006), reivindicamos que sejam tomadas as seguinte medidas:
· Levantamento da demanda real de professores de espanhol para o ensino médio, considerando a implementação da lei até 2010;
· Abertura de concursos para incorporar os profissionais já formados e em formação;
· Caso haja necessidade, ou seja, se os concursos não suprirem a demanda criada com a implementação da citada lei, a formação complementar de professores de outras habilitações em Letras deve cumprir com as exigências estabelecidas pela legislação vigente para a formação de professores de espanhol, quais sejam:
o número de horas aulas correspondente à licenciatura,
o disciplinas com conteúdo pertinente (língua, literaturas espanhola e hispano-americana, metodologia),
o horas de estágio supervisionado (i.e. prática de ensino e observação),
o atividades extra-curriculares.
· Esta complementação deve ser de caráter provisório, i.e. até suprir a demanda.
· Exigimos que tal formação seja implementada, única e exclusivamente, pelas Universidades e Faculdades devidamente reconhecidas pelo MEC.
Acreditamos que o não atendimento destas reivindicações comprometerá a qualidade do ensino de espanhol e, conseqüentemente, da educação, prejudicando ainda mais o desempenho da já tão maltratada escola brasileira.
Na certeza de que nossas vozes serão ouvidas, nos colocamos à disposição para discutir e pensar em conjunto como levar adiante as ações necessárias para pôr em prática um ensino de língua espanhola à altura do que exige a realidade brasileira.
Escrito por egmcosta às 08h38
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Realizou-se na semana passada o XII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol, na UFMT, em Cuiabá. Uma questão importante, comentada na abertura do evento e discutida em algumas mesas, refere-se à implantação do espanhol como disciplina de oferta obrigatória no Ensino Médio, em atendimento à lei 11.161/2005. Temos conhecimento de que Secretarias de Educação de alguns estados, preocupadas em ter um número de profissionais suficiente para atender a demanda, estão tomando medidas inusitadas para “formar” professores de espanhol. Medidas tais como parceria com Cursos de Idiomas para ensinar espanhol aos docentes formados em Letras, das habilitações Português e Inglês, que já atuam na Escola Pública e assim capacitá-los para assumirem mais uma disciplina.
Essa medida é totalmente equivocada, pois, quantos professores de espanhol serão necessários para atender a necessidade de cada estado? Quantos profissionais habilitados, ou seja, licenciados em Letras/Espanhol, há em cada Estado? O levantamento desses dados é fundamental. Se não há professores suficientes, certamente não faltam tantos assim. Além disso, como as escolas têm até 2010 para cumprir a lei, até lá haverá mais professores formados. Mas, se mesmo assim, a demanda for maior do que a oferta, iniciativas que visam qualquer tipo de “formação” emergencial, no estilo “tapa buraco”, estão longe de ser a melhor forma de resolver o problema.
Diante da situação desastrosa que já se pode vislumbrar, aprovou-se no XII Congresso uma moção que deverá ser encaminhada às Secretarias nos próximos dias. Em breve, será divulgada aqui. Aguardem! 
Escrito por egmcosta às 15h30
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A Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) tem um programa chamado Ética e Cidadania. No portal do MEC encontram-se vários textos para discussão sobre o tema (são arquivos pdf e é possível baixá-los, ou imprimi-los, para ler com calma). São todos muito bons, hoje recomendo um em especial: “O gesto ensina”, de Terezinha Azeredo Rios. Destaco um fragmento e recomendo a leitura do texto completo:
“[...]Assim, todo professor é, de algum modo, professor de moral imbuído de uma postura ética. Essa afirmação quer trazer a referência a uma característica fundamental do processo educativo, que é a de transmitir – questionando, construindo, desconstruindo, reconstruindo – valores, no ensinamento que se faz cotidianamente. Ensinando Português, Matemática, Geografia, História, Artes etc, o professor está trazendo, revelando e discutindo valores que sustentam sua prática e a da sociedade em que vive. Não há possibilidade de se ensinarem valores como se existissem por si mesmos, desconectados do contexto em que se dão as relações entre os indivíduos, em que se organiza o trabalho e em que se cria, recria e desenvolve o conhecimento.”
Escrito por egmcosta às 08h42
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Na semana passada, ouvi uma frase interessante de uma professora que trabalha na Secretaria de Educação do Estado. Na abertura de um evento, ela disse que “nossas escolas ensinam bem, mas nossos alunos não aprendem”. Fiquei pensando que essa é uma afirmação tão complexa que não consigo entendê-la. Se as escolas ensinam bem, por que os alunos não aprendem? Se não aprendem, as escolas ensinam bem?
Vou repetir muitas vezes aqui que precisamos repensar a educação. Muitos dirão que estamos repensando a educação há décadas, mas eu quero dizer repensar em todos sentidos. Rever o modelo de escola, de educação, de aula, de planejamento, de avaliação, de exercícios, etc, etc, etc. A escola que temos não corresponde a nossa realidade. Não tenho receitas, nem sei por onde poderíamos começar, mesmo porque este teria de ser um projeto envolvendo governo e sociedade, professores e alunos, direção e pais. Talvez pudéssemos promover um grande seminário nacional para pensar em um projeto de educação de acordo com a realidade, pensar em uma escola que fosse um lugar aonde os alunos quisessem ir e onde gostassem de ficar, que fosse um espaço de criatividade, de reflexão, de aprendizagem significativa. Uma escola que ensinasse bem e onde os alunos aprendessem. Aprendessem a escrever, expressando-se, traduzindo-se, contando-se... aprendessem a ler, entendendo, criticando, refletindo, descobrindo o que está atrás das linhas (como diz Daniel Cassany)... aprendessem a dar sentido a suas vidas, a buscar o significado de tudo que nos rodeia... aprendessem de fato a ser cidadãos, não porque está Lei de Diretrizes e Bases, mas sim porque não deveria haver outra forma de estar no mundo.
Escrito por egmcosta às 08h33
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Mente aberta para PRÁTICAS novas
“As propostas epistemológicas (de produção de conhecimento) que se delineiam de maneira mais compatível com as necessidades da sociedade atual apontam para um trabalho educacional em que as disciplinas do currículo escolar se tornam meios. Com essas disciplinas, busca-se a formação de indivíduos, o que inclui o desenvolvimento de consciência social, criatividade, mente aberta para conhecimentos novos, enfim, uma reforma na maneira de pensar e ver o mundo.
[...]
Reiteramos, portanto, que a disciplina Línguas Estrangeiras na escola visa a ensinar um idioma estrangeiro e, ao mesmo tempo, cumprir outros compromissos com os educandos, como, por exemplo, contribuir para a formação de indivíduos como parte de suas preocupações educacionais.” (OCEM/Conhecimentos de Línguas Estrangeiras, p. 90-91)
As Orientações Curriculares para o Ensino Médio, publicadas em 2006, chamam a atenção para o papel educacional do ensino de línguas estrangeiras, como já havíamos comentado dias atrás. Mas não basta reiterar esse papel educacional nos documentos oficiais para que ele seja efetivamente assumido na prática, pois muitos professores sequer ouviram falar dos Parâmetros (1999) já que grande parte das escolas não tem a preocupação de divulgar e discutir esses documentos entre os docentes.
Infelizmente, a língua estrangeira ainda ocupa um lugar à margem dentro do currículo escolar. Muitos professores reclamam que faltam materiais didáticos e recursos (principalmente nas escolas públicas), que uma aula por semana é muito pouco para fazer um trabalho consistente e que, além disso, reuniões e eventos são realizados justamente no horário de suas aulas. Há ainda outro agravante: a crença (falsa ou verdadeira?) dos alunos de que a língua estrangeira não reprova!
Diante desse quadro pouco animador, falar que ao professor de línguas estrangeiras também cabe a responsabilidade de contribuir para a formação de indivíduos / cidadãos parece um discurso idealista, vazio, pouco ou nada ciente da realidade.
Bem, o que fazer? Ignorar os documentos, seguir realizando o trabalho de sempre?
A questão não é bem essa. O que me parece mais importante é que a escola defina e assuma seu papel. Se é educar, deve voltar todas as suas ações neste sentido. Isso significa repensar a forma pela qual deve cumprir esse papel. No meu entender, o modelo de escola que temos está ultrapassadíssimo! Já falei sobre isso. Colocar numa sala de aula 40, 50, 60 alunos, durante 5 horas (às vezes, o dia inteiro!), ouvindo o professor que fala a maior parte do tempo e, muitas vezes, sobre coisas que não têm utilidade imediata (às vezes nem posterior), não têm sentido, não têm atrativo, e querer que esses alunos estejam atentos e interessados o tempo todo, quando existe um mundo fora dos muros da escola muito mais atraente e convidativo, é não ter a mínima idéia da perversidade dessa prática em pleno século XXI, no seio de sociedades cada vez mais tecnológicas.
Sendo assim, a responsabilidade de desenvolver a consciência social, a criatividade e uma mente aberta para novos conhecimentos e novas PRÁTICAS é antes de tudo da ESCOLA, que não é uma entidade abstrata, mas sim uma comunidade que inclui a direção, os coordenadores, supervisores, professores, funcionários, alunos e responsáveis! Se não houver a disposição para um trabalho efetivamente conjunto, planejado, com a participação e o envolvimento de todos, dificilmente a meta de EDUCAR será cumprida.
Não quero dizer com isso que os professores devem cruzar os braços. NÃO! Pelo contrário, cada professor deve assumir seu papel de educador independentemente de qualquer coisa, por mais desmotivante que seja a realidade, e fazer o que estiver a seu alcance para executar seu trabalho com dignidade.
Bem, pausa para as férias!
Em agosto, continuamos o assunto.
Até lá, pense: fala-se tanto ultimamente em cidadania. O que é cidadania?
Escrito por egmcosta às 08h05
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Ensinar educando
Como mestre ou aprendiz, mediador ou autor, artesão ou profissional da esperança, o professor continua sendo um dos poucos artistas capazes de harmonizar as cores com as quais desenhamos, a cada dia, a tela do nosso futuro. Paulo de Camargo. “A arte de educar”. Em: Revista Aprender Juntos nº 2. São Paulo: Edições SM, 2007.
Este fragmento foi citado por uma aluna no trabalho final do Grupo de Estudos cujo tema é “Enseñar letrando”. Gostei da frase sobretudo porque nos compara a artistas, não aos artistas fabricados pela mídia, mas aos que fazem arte – a arte de educar. Descontando a carga de idealismo que pode ter essa idéia, pois é bom que o professor seja realista acima de tudo, não podemos nos eximir da responsabilidade que assumimos ao seguir o magistério: mais que ensinar, nosso papel é sim educar.
Ao longo dos últimos anos a dimensão educadora das diversas disciplinas e conseqüentemente o papel de educador dos respectivos professores se diluíram na segmentação do conhecimento. Ao distribuir os conteúdos em caixinhas cada vez mais isoladas umas das outras (embora se fale tanto em interdisciplinaridade), as matérias se tornaram independentes e “assépticas”, e cada professor passou a entender como sendo de sua responsabilidade apenas a transmissão dos conhecimentos referentes a sua área. Como decorrência, a escola perdeu seu caráter formador, educador.
A LDB (1996) resgata a função educadora da escola ao destacar como sua responsabilidade o “o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (art. 35). Isso significa que todos os professores, de todas as disciplinas, devem colaborar para que o aluno se aprimore como pessoa humana!
As Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006) reiteram o que a lei determina. Também nós, professores de espanhol, somos convidados a assumir o papel educativo do ensino de línguas estrangeiras na escola (cf. Conhecimentos de Espanhol, p. 131).
Está lançado o desafio: Como o professor de espanhol pode contribuir para o aprimoramento do educando como pessoa humana?
Escrito por egmcosta às 10h20
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Tan solo por la educación...
Tan solo por la educación puede el hombre llegar a ser hombre. El hombre nos es más que lo que la educación hace de él.
Emmanuel Kant
Julho, final de mais um semestre letivo. A frase de Kant vem a propósito, pois a educação foi um tema bastante discutido em nossas reuniões do Grupo de Estudos (Como formar hoje o professor-leitor-cidadão de amanhã?). Nossas reflexões muitas vezes deslizaram entre convicção a respeito do papel importante que tem a educação na formação dos indivíduos (cidadãos) e o pessimismo ante a constatação de que a escola não está cumprindo seu papel formador / educador, ao contrário, vem se transformando em ambiente dominado pela desilusão e desesperança, tanto de professores como de alunos.
E nós, formadores de professores, como devemos atuar diante dos alunos que, antes mesmo de começar a lecionar, já se deparam com a frustração e a incerteza em relação ao magistério, ao papel que desempenharão na escola, ao desafio de conviver com uma realidade nada animadora: turmas grandes, alunos desmotivados, falta de recursos materiais, escolas mal conservadas, violência, desrespeito ao professor, mercantilismo do conhecimento, etc.?
Por um lado, a teoria, que nos convida ao raciocínio crítico, a práticas significativas, a um ensino que tenha em conta a experiência, o conhecimento prévio e a cultura do aluno... Por outro lado, a realidade: práticas tradicionais de ensino, conteúdos alienados da realidade, avaliações quantitativas, acriticidade, comodismo, desvalorização do conhecimento...
O que fazer para não desmotivar o futuro professor, para não desiludi-lo, para estimular sua vocação e, ao mesmo tempo, não alimentar a ilusão de que a vocação e o conhecimento serão suficientes para vencer as barreiras?
Escrito por egmcosta às 11h58
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Ensinar não é...
“[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento.” (Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, p. 47)
Talvez para muito seja difícil perceber qual é a diferença entre ensinar e transferir conhecimentos. Talvez muitos creiam que transferir conhecimentos já é uma tarefa por si só trabalhosa: dominar a matéria, preparar a aula, apresentar o conteúdo, enfatizar o que é mais “importante”, propor exercícios, corrigi-los, etc, etc... Quanto trabalho tem o professor! Entretanto, o resultado dessa prática é o “apassivamento” do aluno, que se acostuma a absorver o conhecimento que lhe é transmitido, considerando-o saber incontestável e imutável. Em lugar de perguntas, respostas prontas e acabadas; em vez de dúvidas, certezas absolutas fundamentadas na palavra dos autores dos livros didáticos; monólogos do professor e atenção incondicional dos alunos substituem o diálogo e o exercício dinâmico da busca, da pesquisa, da curiosidade...
Sabemos atuar de outra maneira? Não somos nós mesmos, professores, fruto de uma educação que se tornou alienadora, apassivadora, condicionadora...?
Você ensina ou transfere conhecimentos?
Você aprende ou absorve conteúdos?
Escrito por egmcosta às 06h51
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